Tenho uma linda natureza egoísta que não gosta de me ver triste.
Quando morre uma pessoa, por alguma razão que desconheço e à qual só posso atribuir um profundo egoísmo, convenço-me, sinto, que essa pessoa está bem, que está aliviada, que está em paz, o que de alguma forma ameniza a minha tristeza. Também, quando morre uma pessoa, essa pessoa não “me” morre. é como se estivesse ausente, mas nunca me preocupo em pensar que nunca mais a vou ver, parece até engraçado mas esse pensamento faz com que meu coração acalente. Penso que ela não está ali e não me preocupo mais com isso. Da mesma maneira, quando acontece uma fatalidade dessas, a única coisa que consigo lembrar dela são as coisas boas, os gestos e as palavras de carinho, os momentos que me fizeram rir, o que me torna a alma leve. A minha natureza, pelo visto, é profundamente egoísta e não gosta de me ver triste.
Faz com que venere objetos que vos pertenciam, que guardo comigo religiosamente, mas que quando os vejo, em vez de suspirar de saudade me fazem rir porque me lembro de tantas coisas boas, que passamos juntos. Como várias fotos que guardo comigo, que trouxera-me tantas lembranças, que quase poderia ter apagado o fato de teres partido.
Eu sei que foste para um lugar melhor. Mas a tua partida não foi única. Partiste também o meu coração. Neste sábado, choquei muitas pessoas, pois ao invés de você me ver triste aí em cima, você me viu feliz... Eu ria dos momentos, das aventuras quase de filme, do rocambolesco e quase ridículo de algumas.
Jurei a mim a mesma que antes de te dar o último adeus físico, haveria de cantar a última música que me ensinaste: "a lua, é um planeta, que faz careta a quem não sabe namorar". E aposto que lá de onde estas agora, tu me protege. Partiste-me o coração. Mas só te agradeço por isso. Porque isso só demonstra o quanto foste importante para mim. E também te agradeço o teres passado na minha vida. Agora eu sei que nos vamos voltar a encontrar.
Até sempre.
Dedicado ao pai de um Amigo meu, Sr. Jardel.