terça-feira, 5 de janeiro de 2010

[en]Cantos.

No quintal da saudade há várias recordações e sensações. Digo sensação porque a sensação do outro é sempre um mistério pra gente. Até o beijo por exemplo, que à mim diga-se maravilhoso aos olhos de outros é repugnante... Assim como um sentimento pode significar muito para alguém e muito pouco para outro alguém, mesmo que ambos sintam a mesma coisa. E é exatamente isso que acontece, comigo.

Queria um varal onde molhasse minhas tristes recordações, cansei de deixa-las imortalizadas em minha memória. Agora mais do que nunca quero deixa-las livres, esconde-las pra sempre... mata-las de minha mente, da minha alma. Quero novamente ser o que era, ser a 'menina' que colocava sentimentos nas palavras, estrelas nos olhos e cores nos dedos...



Não quero uma vida comum, não para este ano cheio de surpresas a me esperar.
Só que está cada vez mais complicado já tentei de diversas formas, pincelei de diversas cores e colori da cor que bem quis fugindo de todo esteriótipo de que o amor nem sempre é vermelho, rosa ou carmim...

Eu prefiro esse amor inventado à minha maneira, autêntico, roxo. Amor roxo, esse que me mora sempre que lembro do passado... Ah, meu amor ainda continua vermelho, tão piegas quanto o mundo, mas é amor de pai e mãe. Meio vermelho para cada um, meio coração para cada um. Amor, igual.


Cores... gosto de cores. Acho que o amarelo destacaria o amor dos meus amigos-irmãos que é suave, fácil como respirar, limpo como o ouro. Se pudesse pintaria de prata tudo aquilo que me faz bem. Sejam pessoas ou coisas, lugares ou comidas, por assim dizer. Não posso me esquecer do azul, do meu azul que é as vezes fraquinho quase branco, por outras forte quase noite. Ele me lembra as estrelas, às vezes chuva, às vezes mar. Mas amor, acima de tudo. O azul ilumina tanto, desde tons a texturas. E me lembra piscina. Azul, que às vezes me tem por completo e pelo qual eu nunca saberei demonstrar. É que o meu amor, é como o sol. Tem dias que vem, tem dias que não. Mas mesmo debaixo d’água, todo mundo sabe que ele existe.

um pouco do que nós somos, ou deveriamos ser...

Enquanto caminhava tranquilamente pela tímida chuva que caía, ela conversava consigo mesma. Distante dos atentos olhos que sempre a cercavam, ela colocava suas idéias no lugar. Pensava e repensava, procurando por razões. Foi então que uma criança lhe chamou a atenção: estava sentada na calçada e, aparentemente não se importava com os pingos d'água que molhavam seus cabelos. A criança estava sentada de frente para um muro e tinha uma bola em suas mãos. Ela se divertia enquanto jogava a bola no muro, para que ela batesse e voltassse as suas mãos. A garota não sabe por quanto tempo ficou observando a criança, mas como num estalo, as coisas se clarearam. É clichê, mas só nos damos conta quando a situação bate a porta. Cada um de nós está completamente sozinho, mas talvez isso não seja tão ruim.