Caso não houvesse a tristeza de ontem, jamais carregaria um sorriso em meus lábios... O ontem ensina o que você gostaria de manter longe do presente e o que precisa deixar sempre ao alcance das mãos. Eu, necessariamente precisei doar-me, sentir ao extremo, ir além dos meus limites e das minhas responsabilidades, para aprender.
Talvez, mais que entendido as conseqüências dos atos, hoje eu aceitaria que errar faz parte do crescimento.
Tive que ser boba, para hoje ser prudente; ser gentil demais, para hoje ser seletiva; ser igual, pensar igual, para hoje ser totalmente diferente. Agi com impulsos desnecessários, busquei expectativas sem chãos sólidos, sonhei com o impossível e o mantive distante. Ainda ajo com impulsos, porém, com sonhos planejados pisando em nuvens, mas tudo soa um pouco mais diversificado que antes. Parecem e são mais nítidos.
Dói muito, quando você espera algo de uma pessoa, seja por quais forem os motivos. Machuca, apenas machuca. E ainda destrói mais, quando você acredita que o passado faz parte de páginas velhas e mofadas e ele parece tão novo, como que conservado num álbum de fotografias coloridas. Não quero queimar também as lembranças do que eu fui contigo, pai. Ao contrário, gostaria de mantê-las na estante para maiores esclarecimentos do meu eu... Mas somente com o intuito de usá-las como sabedoria e não como dor, receios e mais ressentimentos vindos à tona.
Sim, um dia eu tive que ser Outra de mim, para ser a Si com a essência atual e marcas de outros tempos, de outros anos. Não posso me arrepender dos meus amadurecimentos. Caso contrário, eu não teria estes sorrisos estampados onde quer que eu vá, não teria essas mãos que ainda lhe fazem carinho em sua face, e este olhar sereno quando meus olhos procuram os seus aflitos por carinho e proteção que ainda sinto falta... Esta grande e intensa pretensão e confiança de ainda achar que mudará e me dará orgulho não passe de uma história que foi escrita inteiramente pela minha caneta azul –minha cor favorita...