terça-feira, 27 de abril de 2010

Morrer de verdades...


Eu sou intensa no que vivo, meu erro é acreditar demais. Esperar das pessoas a boa atitude, o bom senso, o normal edificante. Nietzsche disse que o grande defeito dos sinceros é achar que todos são sinceros também, eu erro nisso, eu sofro por isso. Porque não consigo simplesmente deglutir as desgraças do mundo, porque não consigo ignorar minha idiotice de não dá esmola, de não abraçar um velho mendigo. Exatamente o porquê da minha dor: minha ultra-sensibilidade.
Creia, não sou anormal. Sou apenas o pacote de sentimentos acumulados que resgato da lixeira das pessoas. Eu apenas sinto muito do que a maioria desligou. E pior do que entender sua dor, a dor dele e demais dores, é aspirar a dor pra mim, sentindo-a: meu maior defeito.
Fico sempre repetindo à mim, pare de achar que tudo é sofrido. Você chora pelas pessoas e inunda a cidade, você vê as pessoas afogarem e chora mais ainda. Não acredita muito nelas, entenda, alias, você sempre soube que ser humano machuca, erra, mente, odeia por puro instinto, tendência. A nossa tendência é essa, o fracasso, o acabado vazio.
Porque dentro de cada ser existe muito potencial, existe muito poder, muito domínio. E de tão grande se confunde, deixando aflorar os sentimentos mais pré-históricos, violentos e toscos. Forte não aquele que não chora e não sofre, mas aquele que vence o ego e chora, e sofre. E geme de dor, esperando acalento. Forte é aquele que permanece nos bons modos, no amor, no perdão e na justiça.
Se existe tudo de errado no mundo, é a fraqueza. Só a fraqueza.
Portanto, eu sei que sou assim. Duas vozes em mim. Uma diz: revolta. Outra diz: adapte-se.