segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Gelado



Desejo congelar esse momento. Esse instante exato em que tudo parece perfeito: os livros, a música, a temperatura e a pressão; uma cama que não é a minha em um quarto que não é o meu e que, mesmo assim, faz com que eu me sinta confortavelmente em casa. Queria poder parar o tempo, mas sei que se tivesse essa habilidade, logo logo me encheria, bocejaria de tédio, procuraria outro interesse. O problema não é eternizar o momento, eu acho, é manter a sensação.

Sou viciada em pequenos acontecimentos, em novidades de cinco em cinco minutos, em pequenas polêmicas internas. Já quis, é verdade, tentar viver com a menor das necessidades do mundo. Mas sou gananciosa por informação, frenética e neurótica, uma pessoa que tem uma idéia muito controversa de paz. Necessito sim, necessito de amor, carinho e atenção assim como qualquer animal sentimental...

Se eu pudesse eternizar a sensação, faria o seguinte: iria até ele, sentaria em seu colo e falaria que ele foi uma grata, uma bela surpresa. Mas não faço nada disso porque sei que não posso controlar nem o tempo, nem os sentidos, e que os meus sentimentos são sempre os primeiros a se dispersar. Então me mantenho calada. O silêncio faz parte de nós.

Ao som de: Do alto da pedra - Rosa de Saron.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Aberto

Quantas coisas acontecem na vida, irrelevantemente ocasionam vários tipos de mudança. Tal como a que está ocorrendo agora, por um ponto de vista é quente que aquece... Faz com que nós fiquemos com a sensação de conforto, segurança. Imagino como uma bola de sabão frágil ao toque... superfulo aos olhos alheios, adocicado como um veneno anti tristeza.
Mais um ano termina. Amizades terminam, amores terminam, família termina. Mas não quero esquecer do segundo período do termino, o novo começo... o começo de amizades que estavam intactas ao passado, óbvio... que sem o passado nada teria sentido. Novos sabores, novas cores, novos cheiros; O novo é tão bom, é tão limpo. Quero sentir essa sensação desde o primeiro dia de 2010 até o ultimo. Sem sentido algum, sem ao menos saber o que falar apenas com vontade de transpor uma vontade.
Mas atenção, a razão de tudo isso é única, é ser feliz independente de cor, raça ou religião!
Do fundo do coração desejo felicidade, alias muita felicidade para todos inclusive. Não quero ser hipócrita e desejar apenas pra mim. Que Deus ilumine muito cada pessoa que fez/faz parte da minha vida.

Enfim. Que seja doce, que seja fácil e tranquilo...

domingo, 8 de novembro de 2009

Visualize...

Quando ele a pegou pelas mãos não sabia o perigo que estava correndo, só a encontrou indefesa, solitária, solta ao relento. Não havia nada dentro dele além da extrema vontade que sentia de levá-la, de cuidar de cada pedacinho dela, de viver com ela até que se curasse, sabia de todos os riscos, sabia de todos os traumas que a conduziam ao erro, sabia que o caminho que queria seguir tinha um lado ruim mais acentuado do que o de lado de lá, mas a vontade, a tentação não o deixavam resistir, a vontade havia tomado conta da sua consciência naquela hora onde mais nada havia, só vontade. Com todo o cuidado que ele jamais teve (sempre foi considerado um homem bruto, de poucas palavras) pegou, acalentou e acariciou até que percebesse que ela se sentia um pouco segura, um pouco longe das dúvidas. Ela foi se soltando, foi amadurecendo aqueles poucos segundos de conhecimento, e foi querendo se libertar, foi querendo sair desse casulo, foi mostrando toda a liberdade que queria ter (sempre foi considerada apegada demais, dependente), e tentou seguir, tentou soltar-se dele o mais rápido possível. E ele ao perceber absurda situação se contrariou, as palavras acabaram novamente, a dureza voltou, a brutalidade era predominante mais uma vez. Ele tentou a soltar, mas se sentia apegado demais, não sabia o que fazer, pela primeira vez na vida, não sabia a atitude que queria tomar, mesmo cheio de vontades, dessa vez a vontade não fez seu papel absolutista, em estado de coma a vontade se encontrava. Ele a pegou pelas mãos, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia. E a soltou, não sabia o perigo que estava correndo, não sabia.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Falta?

Não é que eu não queira mais pensar em você. É que eu não posso. Não devo. Querer, poder, dever. O que esse verbos têm que se meter em histórias de Amor?... Em romances, paixões e afins, só deveríamos conjugar verbos como: permitir, conseguir, alcançar, transformar, verbos subjetivos positivos, para que combinassem com os verbos práticos do Amor, como: acarinhar, beijar, abraçar, tocar, desejar. E tudo no presente. E no futuro. Poderia até haver um novo tempo para o verbo amar: presente-do-futuro-garantido. Mas a verdade é que, não posso crer que cá estou, novamente, com esse blábláblá de amor e nostalgia. Perdão, mas é vício já. Todo santo dia , no final de cada dia, bem no fim do dia, eu prometo a mim mesma ultrapassar esse assunto, e pensar em outras coisas, entre tantas que a existência nos oferece, mas eu não consigo. Não consigo, assim, conjugado no presente-do-futuro-garantido. Que Deus me Ajude!

domingo, 25 de outubro de 2009

A mãe disse um dia quando ainda era pequena, que a gente não chora por amor. E se chora cada gota de lágrima é um pouco do amor que vai embora. Guardei. Hoje, levo umas cenas que pintamos juntos. Umas pancadas do lado de dentro que nos demos, nossa afinidade descontrolada... O intenso e o delicado das oscilações junto com a certeza da minha segurança. Levo lamúrias sertanejas, conversas sem fim, fumaça. Muita fumaça ao teu lado. Guardei. Guardamos. E o que extrapole, fica resevado aos que hão de vir. E virão. Se dói? Dói. Mas deixa explodir. Minhas verdades valem, porque eu acredito no que é belo. Eu entro, arranco, finco, pinto, desenho. Desbaratino e devolvo. Como um sopro que arranca de mim um alívio doente. Praga. Parece. Hoje sou vermelha e você, cinza. Insisto no que é colorido e acredito quando meus olhos brilham. Insisto no que é lindo. E verdadeiro. E o bom da vida vai prosseguir...

Volte a padecer.


Breve o sorriso dos satisfeitos. Largo. Vasto o dos descontentes. E da alma estática e sem rumo? Não há riso? Não há choro?
Nem o suspiro de virgens desmaiadas. Alma de luto, sem lamúrias. Nem palavras que anunciam solidão. E do leito de mágoas antes deitado, sem vestígios.
Alma acromática.
Alma indolor.
Outrora, quando tantas almas riam dentro da minha, e tantas outras choramingavam, o toque era sentido. Tudo doía. Tudo amava...

De todas as importâncias..

Existe uma grande diferença entre andar para trás e tomar impulso.