terça-feira, 23 de março de 2010

Eu nunca mais quero ver você chorando.




Tá vendo todas estas nuvens? São passageiras. Se vão, como um dia você também irá. Pra longe, pra morte, pra nada. Você vai e isso aperta seco em meu peito, como se todo o sangue em meu corpo se esvaziasse, deixando meu coração sem ter o que bombear.
Então, não se preocupe tanto com este seu céu nublado, ele é só mais um item da pilha do seu passado. Eu estou aqui, apertando forte sua mão e isso é uma das coisas que importa. Não me venha com essas lágrimas silenciosas. O choro precisa de suspiros para ficar mais ameno, quando ele é assim, tão lacrimejante e mudo, me amedronta, porque sei que é mais doloroso. Por favor, pare de chorar. Sou tão inútil perto de todas suas queixas sobre a vida. Tudo que posso fazer e apertar sua mão sob a intensidade do que sinto, quanto mais doí, mais aperto.
Quem dera se eu pudesse mudar alguma coisa, abriria seu caminho com minhas mãos, daria todos os seus sonhos e poria na sua face um sorriso, daqueles tão sinceros e felizes, que chega a ser irritante.
Não, não me confesse seus segredos. Eu tenho medo de guardar coisas tão importantes, que mudaria vidas e destinos e pessoas. Sei que é o desespero, sei que a dor abre uma porta por acidente, justo a que passa o medo de morrer. Então você vai chorando e confessando, me dizendo tanta coisa, era pra eu gritar com você, era pra eu fazer escândalo e brigar com sua covardia de não ter enfrentado a vida em prol de seus princípios, que hoje são restos. Mas eu não consigo, seu choro é como um suplício divino. Me deixa tão intacta que para falar, falo baixo, sussurro e até penso antes. Fico como uma princesa sábia, delicada e de palavras doces. Não consigo me revoltar, só consigo olhar para seu rosto e continuar apertando sua mão. E junto apertando meu cérebro para ele ser o mais eficaz possível para não cair lágrimas de mim.
Quero desanuviar seu céu, quero eternizar você. As nuvens vão e até seu corpo pode ir, mas pra mim, você, realmente, nunca irá.
Eu nunca mais quero ver você chorando. Nunca mais.

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