Me sinto pequena, me sinto um filhote. Me sinto um bebê ou uma criança de cinco anos. Sou insegura, tenho medo. O futuro é meu bicho-papão de todos os dias, a loucura de pensar o que vai acontecer, o que pode acontecer ou o que não. A insustentável paz que colho, ao plantar em lágrimas, meus sonhos. Artigos definidos antes de meus sentimentos. A dor, o amor, a carência, o orgulho. Tudo que intitula meu doce paraíso imaginário, numa piscina onde habitam os mais belos sentimentos, embebecidos no amor, a dona, rainha, a maior.
Mágoas inativas, mas existentes em meu coração. Ligadas à agonia da inconfiança humana, ligadas aos traumas que ora me protegem, ora me faz de otária. Mágoas que mortas, mas existentes. Mágoas e seus esqueletos, enfeitando, preenchendo meu espaço emocional, cuja nomenclatura mais vulgar é coração. Eu tive medo, tenho medo e sei que terei. O medo me faz conectada ao seu ser, de forma total. Sou sua cria, sua filha, seu fruto. Sou o produto do que um dia creu amar, sou a extensão do mesmo.
Minha vida não seria, se você você existisse. Mas creia, mesmo se eu nascesse por osmose ou telepatia, não seria. Eu não poderia existir sem suas palvras, sem seu amor. Sem sua face de menina. Não, mãe, não sem você.
Suas palavras, pesadas ou leves, doces ou amargas, certas ou erradas, me faz continuar. Nessa luta tão enfêmera contra a própria morte. Nesse vai-e-vem das dores, temores e horrores. Nos altos e baixos da alegria. Sua sabedoria, me incentiva como ninguém conseguiu. Sua face, me induz a ser alguém. Olhar em seus olhos, por traz destes óculos, me causa a nostalgia, o arrependimento de ter crescido um dia, saído do seu colo, do seu abraço, do seu mimo. Mas que mesmo assim, esse mesmo olhar de mãe amável, me faz ser o que sou.
Eu sou teimosa, sou má-criada. Sou respondona, crítica e chata. Não concordo com seus pensamentos, brigo. Eu não entendo sua posição, critico e pergunto. Não gosto de ouvir certas coisas e com a mesma pirraça que tem, falo coisas piores. Eu tenho pensamentos diferentes, são próprios, são diferentes. Eu sou 'do-contra', mas sou tão sua, sou tão humana, como outréns.
Eu sou amável, cubro-a de elogios. Sou carinhosa, falo que a amo só para ver seu rostinho de menina satisfeito. Sou guerreira, ninguém me tira da luta. Não tenho preguiça, não sou mesquinha. Sou seu espelho em coisas que faço. Sou quase você em coisas que penso.
Minha mãe, minha razão de viver. Eu não posso ser feliz se não for. Não há condições, fugiria das leis da física, se eu fosse. Eu a amo, estarei sempre com você. Porque é minha razão, meu maior motivo de viver.
Eu tenho muito orgulho, ainda que criticando, de você. Meu amor pela senhora é maior do que Saturno.
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