Hoje, fiquei com vontade de voltar pro interior, buscar minhas raízes, rever pessoas que não vejo a uns 10 anos... Era uma noite escura de verão, quase não havia vento, e o mar dormia tranquilo, coberto pelo manto negro. Algo ainda me tirava o sono, não sei se por ser diferente ou por pura saudade de tudo... não consegui respirar com facilidade, foi então que observei uma estrela logo ela brilhava no céu de poucas nuvens, olhando por mim como uma protetora silenciosa.
Fingi para mim mesma que queria apenas ver minha estrela guia mais de perto, mas eu sabia que não era isso. Meu corpo todo se arrepiava apesar da ausência de vento, meu coração batia na ponta dos dedos e minha respiração ofegava sem qualquer motivo aparente. Eu pensei que fosse algum pressentimento ruim; uma tempestade silenciosa que se aproximava... Pensei até em fazer uma prece – nesses momentos, acreditar em Deus parece conveniente –, mas minha atenção foi absorvida pelo canto que me inundou de repente. Era um canto diferente de tudo que eu já tinha ouvido. Não era doce, nem agressivo, nem melodioso, não era sequer afinado, era apenas uma profusão de notas e subnotas, indo e vindo dentro da minha cabeça, como ondas do mar. Era isso. O canto não me adentrou os ouvidos hora nenhuma, ele estava dentro da minha cabeça o tempo todo, feito fosse minha consciência acalentando meu cérebro cansado.

Acordei estirada na areia, com o sol cegando meus olhos. Mas eu ainda sinto na boca o gosto do meu doce preferido, e quando fecho os olhos imagino a figura dele, sugando a minha existência para algum paraíso secreto nos sete mares. Sei que jamais a encontrarei novamente. Ela ficou com o meu coração. E eu fiquei apenas com a lembrança de uma noite de verão. Virei para o outro lado e continuei a sonhar...


