segunda-feira, 14 de junho de 2010

apenas silêncio...

Estamos aqui, reunidos isoladamente, sob as mesmas reivindicações.
São efêmeras as alegrias, são infinitos os problemas... Eu não quero voltar a ser criança para ser, novamente, idiota. Adulta que seja, eu quero ser o que sou. Hoje sou estúpida, medrosa, mas com lágrimas e tormentos, enxergo um mundo mais real... Ou só acho que enxergo?
Atarefada de lamentações, passamos dia após dia a mergulhar num tal de ego. O muro que subi foi para me proteger, mas também, para ficar tudo mais centrado em mim. E lengalenga de problemas montanhosos que não acabam, se multiplicam, sucessivamente. Mitoses mutantes, alotopradas, conjugando suas cópias numa só, um gigante que intitulamos o maior de todos os problemas. Seja ele qualquer merda que for. Culpamos um motivo central para todas as aflições.
Hoje, inutilmente, convido-me a desfragmentar esse gigante. Vamos despedaçar o grande problema. Terei mais, mas terei pequenos. A forma de fazer tal aterfato, eu não sei. Tenho medo do que não devo sentir.
Mas eu uso um caminho amador de quem quer muito parar de sofrer mazelas. Olho para o próximo e aspiro, com forte ousadia, o que posso. Se de lá saem problemas, cá estou para dizer: Fique firme.(Enganando-se todos os instantes que repito isso). Embora eu não esteja em meus próprios, dizer para os outros, me conforta.
Vejo solução em quase tudo...
Tão isolados, não evoluiremos. Sim, a vida vai passar. Cada dia mais gelo e mágoa para a gente ficar naquela fortaleza hipócrita de ser insensível, mesquinho. E ingrato.
Para quê tanta privacidade? Falarão, de qualquer forma, falarão. O amor ao próximo é um pensamento, cientificamente, genial. É um pretexto para unir seres que só tendem a se separar, à medida que crescem. Nascemos paratisas, sugamos do seio de uma mãe que não honramos o suficiente, dependemos de um pai que nunca poupamos. Depois, deixamos nossas colônias, as famosas famílias, para sermos um só. Mesmo ao lado de tão queridos, amáveis, eternos, lindos, amigos; mesmo ao lado de meigos, fieis e fortes irmãos; mesmo com conjugês e qualquer adereços humanos; somos individualistas. Eu. Nada mais.
Estou aqui, braços abertos, sinceros, calejados, querendo fechar para uns, querendo abrir para uns tantos ingratos, querendo esmurrar a maioria, e finalmente, querendo abraçar quem precisa de verdade.(Mas o que fazer quando quem precisa de um abraço é você?) Porque eu necessito dissolver meus problemas em minhas próprias lágrimas. Preciso fazer do meu gigante, pequenos incômados quaisquer.
Extremamente à "flor da pele". Sim, eu sou e sempre vou ser aquela que ama, que tem paciência, que perdoa, que planta o bem, que morre e nasce quantas vezes por possível para purificar.
Mas agora não. Sem paciência, não vou deixar meu corpo podre morrer para renascer. Quero aproveitar ao máximo de meus erros, usá-los como pretexto de outros. De minha voz que dizem doce, que não mais fala, envenena a mim mesma, como forma mesquinha de desabafar o que penso, que sinto e o que não deveria sentir. Me sinto impaciente, estou mexendo minhas pernas mesmo quando durmo. Estou com tiques, minha fome diminuiu, quero mais chicletes. E até quando fumo, entro num colapso de fumaça prazerosa até chegar ao desprazer do excesso. Gosto de ser assim, gosto do poder que sinto, gosto do simples fato de ser "assim". Quero ter raiva, preciso ter raiva de mim.
Porque eu sei, que daqui a poucos segundos, tudo isso estará dissolvido em lágrimas próprias. Dito e feito, estou limpa, vou sujar-me com o mundo, para recomeçar esse ciclo idiota. E me revolto que quando criança, eu não era pura e nem boa, só não sabia das coisas. E tenho raiva de terem mentido para mim... Minha pureza vem de agora. Dessa raiva e revolta. Sou teimosa, gotejo sangue, tenho feridas abertas e estou suja de mundo, mas eu estou aqui. E sempre vou estar aqui.

Um comentário:

Anonimo disse...

Com certeza, mais um belo texto.