Assim que desliguei o messenger, repetia em mim "tristeza não tem fim, felicidade sim". Era aparentemente a trilha sonora do que passava na minha mente naquele instante.
Tentei fugir! Mergulhar em minha mente de funções atípicas do meu sistema, do meu corpo, onde aparentemente envolvo problemas matemáticos que um antigo professor desempenhava no quadro. Foi em vão. A música repetia-se ora com a voz suave do Tom Jobim, ora com a ríspida e sincera voz de Cazuza. Ou então, vinha apenas com um saxofone fúnebre habitual.
Pensei em tudo e fiz daquela "matemática", que era somente um pano de fundo, uma base para transformar em algo "a" mais. Ou pelo menos ser um pretexto bom suficiente para poder entristecer. Adicionei mais problemas, multipliquei impossibilidades. Subtraí de tudo, restos de alegrias, que naquele momento, aos meus olhos, eram restos. E por fim, não dividi nada com ninguém.
A música novamente veio, agora com uma orquestra sinfônica e uma voz doce de um homem não mais qualquer. Nesse momento, tive vontade de rir. Do meu melodrama. Da minha mania de fazer a realidade virar uma cena, jamais assistida, de um filme. Um belo filme.
Eu sabia que isso era só começo. E ainda sei. Não como uma mente pessimista, sem esperança. Uma mente já madura perante a isso. Acostumei com essas loucuras, esses desalinhos da vida. Então, cansada de ouvir a música mental, cansada de ficar pensando e simplesmente pensando, nada resolvendo, comecei a prestar atenção no cálculo daquela velha aritmética. (Que nunca consegui ao certo descobrir 'onde começa'). Esqueci dos meus históricos. Do que me falaram. Fiquei tão concentrada naquela aula tão, pelo menos para mim, repetitiva, que bateu o sinal. E pensei comigo: "Os loucos foram liberados do hospício. Uma correria afobada, disputa de todos, para ver quem sai do manicómio primeiro. O sinal foi um meio de voltar a ouvir " Tristeza não tem fim, felicidade sim", não sei porquê, mas foi..."
Quando eu saí daquela insônia terrível e tediosa, não senti frio e só consigui ver o céu azul que estava lá fora, e minha mãe não estava lá. Que raiva, pensei. Cadê minha mãe? Eu quero minha mãe! Eu quero minha mãe. " Tristeza não tem.." Preciso contar a ela o que ocorre com o seu bebê, como a própria costuma referir-se.
Mas lá estava ele... Um dos meus referenciais da loucura, da certeza e de paixão. (Embora odeie o termo). Embora também pense: "O que eu não odeio?"rs.
Meu botão de escape da loucura, que me retorna e torna a realidade, não tão má, não tão ruim. Mas a realidade que ele me ensinou a viver durante os três dias mais vividos. Idiota, feliz. Porque no final, é tudo relativo. Sem planejar detalhadamente o amanhã... Entrei na tua vida e vice-versa. O som das músicas, nas quais os significados soam pensar em ti e nas sensações de tri polaridades que consegue exercer em minha mente, tento jurar. A minha música, já muitas vezes mixada, da minha mente, finalmente acabou. Meu bem.
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