quarta-feira, 19 de maio de 2010

Anestésicos

A dipirona é meu amor. Hoje ele me ajudou, ele me curou, me anestesiou. E eu ri.
A dor de cabeça, que também é meu amor, se foi. Ele que me avisa dos meus deslizes, ele que estampa "estresse" na minha alma que é muito, muito calma. Ele que me deixa dormir e sonhar e agonizar de dor, implorar: Deus me ajude. Ele que me faz ter sonhos tão avisáveis, que me avisam dos caminhos tortuosos que insisto em caminhar.
Eu não estou tão errada assim. Só sou produto de um meio errado.
Eu não te amo tanto assim... Só sou uma exagerada em palavras, que se dividí-las por mil, se tem o real significado.
Eu não estou perdida. Fiz 300 palavras em um vocabulário jurídico maluco, uma elaboração de lei e li livros gigantes. A má distribuição, a necessidade da pobreza, miséria, para se ter riqueza e um PIB bonito lá fora. Tá vendo a diferença? Eu estudo com o sangue que tenho. E quando estudo, aprendo.
Eu quero me formar em Direito, mas tenho a alma de uma poeta. De uma filósofa ou qualquer adjetivo que seja taxado pela loucura e liberdade de pensamento.
Eu sofro, por isso. Porque embora seja o curso certo, estou no lugar errado. E vou estar sempre, porque eu sou àquela que grita.
Hoje eu estou feliz. A dipirona me abraçou, me aninhou. Me disse, não com a voz, mas sim com os olhos que sei viver muito bem comigo e com ele. Não preciso de seus mimos forçados. Não preciso de sua dó grotesca. Não preciso que me pergunte como estou. Porque sempre vai sair destes olhos: A sinceridade, e isso só compensa para quem realmente quer saber como estou.
Eu chorei no domingo, quando abracei ele. Meu irmão. Ele me faz pensar assim: Que se exploda o mundo, mas você vai estudar e deixa o mundo lá fora.
Que se exploda o mundo. Que se exploda esse blog. Que não morra ninguém, só pra me ver vencer.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

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Código Morse: exatamente assim que meu coração está. Minha cabeça, tudo. Em código, que ninguém, e ninguém mesmo conseguem entender... Nem os mais próximos, os que sabem exatamente o que eu to pensando só de olhar pra minha cara de "perdida no nada", os que conhecem meu sorriso de canto de boca, os que entendem quando eu estou calculando as possibilidades. Nem os mais afastados que acham que me entendem, que vêm nessa cabecinha teimosa uma menininha mimada e doce. Nem eu entendo. Isso é o mais grave. A única coisa que eu sei direito mesmo, é que eu tenho essa minha mania de felicidade. Oh inferno! Tá tudo lá, lindo e aparententemente correto e lá estou eu um instante depois reclamando: “cadê a minha felicidade”? Tenho a péssima mania de me cansar rápido de querer sempre mais, de ser essencialmente insatisfeita. È assim desde criança, quando minha mãe me matriculava em natação, dança, volei, karate, teatro...E eu sempre desistia antes mesmo se saber o mínimo possível da atividade. É assim agora, já toda virando adulta, quando me canso das disciplinas, dos livros, dos comodismos. E é assim quando eu fico sozinha. Pensando no fracasso do meu querer. E ainda há quem diga que isso de querer sempre mais é bom, mostra que você não se acomoda. O problema é que em alguns momentos eu queria muito, muito mesmo ser acomodada. Não me sentir falida. Não ter que começar tudo de novo. Tomar decisões e depois parar e perguntar : “Ok, e agora? Eu faço o quê?”.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Seu efeito, sobre mim...

Não existe nada nesse mundo que possa, simplesmente, tocar no meu amor que sinto por você. Não existe quem ou o quê possa fazer isso. Nada muda, interfere, nada destroí um amor que não precisa de estrutura para existir. Não consigo ser minha, sem ser tua...
Um amor que, como labareda de fogo, queima tudo pela frente. Queima a própria água, queima a própria falta do que queimar. Um amor que atravessa vidas, almas, caminhos, destinos, distâncias. Meu amor por você existe antes mesmo de eu existir, gosto de apostar nisso. É maior do que posso sentir, não cabe em mim e estravaza por aí, pelos meus caminhos.
Se eu tenho raiva de você, tenho sim. E muita. Mas nem isso toca no amor. Ele cresce tanto que engole tudo que vê pela frente. Até mesmo a raiva, que creio que logo irá se consumir.
Não há amor comparado com este que já senti. Eu mudaria por você quantas vezes possíveis, achando ótimo fazê-lo.
Eu daria para você a felicidade que há em mim. Mudaria sua vida, se pudesse, tiraria todos seus obstáculos com minhas próprias mãos. Seria, até mesmo, seu sacrifício quando precisasse sofrer, sofreria por você. Porque o amor que sinto é gritante e intocável. Sinto raiva e vou sentir por um tempo, tempo que seja. Mas estarei te amando de longe. Muito e sempre muito.

"Eu faria você sorrir todos os dias de maneiras diferentes."

Saturno

E o pior de tudo é que eu te amo. Não aquele amor obrigatório de quem tenta ser grato. É um amor além das malditas palavras que eu falo, sempre quando você me irrita. Aquele amor que se maltrata, abraçado pela raiva, acolhido por uma implicância. Um amor de quem tem orgulho e muito arrependimento, quase rancor.
Eu não a amo, eu te amo. Amor, na verdade, jamais precisou de formalidade. Amor é feio, fala errado, anda torto e é sonso. É esse, o mais mal vestido, trapo e fedido, que sinto por você. Às vezes se aninha no meu humor variante, às vezes é tão racional, que é quase fingido.
Antes, dizia que amor machucado virava ódio. Mas não, não é verdade. Meu amor por você, que tem partes aleijadas, é tão vivo quanto qualquer outro que sinto por aí. Ele é bizarro, mas é puro e sedento. Quer seu bem. Quer a sua, mais que a minha, felicidade. Quer vê-la sorrindo, cantando ou com os olhos brilhando de quem sabe driblar essa maldita vida.
Meu amor pode perder seus membros, mas regenera. Ele não morre, é imortal. Morre eu, morre eu duas vezes! Mas o meu amor, fica. Aqui, cravado em qualquer coisa que possa ser fixo. Fica no meio dessas coisas ruins que às vezes eu falo, fica escondido atrás das minhas queixas de seus defeitos, dos meus eternos dramas e mimos.
Nada, ninguém, nem você, que é o motivo dele existir, o destroí. E eu quero dizer, que desde que eu pus minha cabeça nesse mundo, sou ingrata. Chorei, ao invés de rir. E choro até hoje, ao invés de rir para você. Não falo todos os dias, mas deveria dizer: me perdoe, te amo. Sou teimosa, não consigo ficar calada quando eu tenho, não consigo ter a maturidade que deveria, mas eu te amo. Amor feio, mas eu juro, um dia ele ainda vai ser lindo, igual você, mãe.

domingo, 9 de maio de 2010

É estranho, é verdade


Não se pode subestimar o amor. Dizem que falar eu te amo é só quando se vive um grande amor afetivo. Mentira. "Eu te amo" é uma frase lembratória do amor. É como se fosse a chuva para regar um jardim. É como se fosse um alimento, um sustento, uma estrutura. Dizer te amo, é a chave para abrir portas, cravadas de dores, fechadas por aço e por medo. Dizer te amo é a cura da angústia, o abraço doce de um viver amargo.
Não repita a frase pronta que se diz o mundo : "Pra que dizer te amo se você já sabe?". Isso é tolo. É estúpido. É egoísta. Dizer eu te amo não é pra ninguém saber, é pra lembrar. Lembrar pois, em um dia-a-dia cheio de aspirações, falta de tempo, loucuras, buzinas, pessoas, olhares, risos, choros, gritinhos irritantes, é preciso lembrar o sentido do viver. É preciso lembrar que em um dia-a-dia tão corrupto, submisso, humilhante, arrogante, ignorante, você é amado, é alguém.
Somos treinados a esquecer o amor de todas as formas do mundo. Se você for esperto, saíra com dificuldade. Se é tolo, se prenderá com grande facilidade.
Dizer "eu te amo" impulsa a lutar. Nos faz sentir acompanhados, quando sempre... sempre sentimos sozinhos. Dizer "eu te amo", ora, é bíblico, sábio, educado, bonito!
Mas não seja monstro e vai sair falando "Eu te amo" sem amar. Ame. Respire. E diga "te amo". Com todas as letras!

Pra mamãe. Pro papai. Pra irmã. Pro irmão. Pro amigo. Pra amiga. Pra aquela pessoa...

Fim do túnel...

Qual é o problema com o mundo, afinal? O que todo-mundo vive?
A verdade é que estão impondo a desmoralização da profundidade. Algo ligado com a intimidade escassa, a falta de essência, excesso de aparência.
Viver fingidamente feliz e em vão. Acumular dezenas de centenas de milhares de 'amigos' do orkut, ou contatos no msn. Sair por aí, para dar uma volta mesquinha na rua e toda hora encontrar alguém, um 'amigo' por aí. Sair abraçando gente, contato superficial de pele sob tecido com pele sob tecido. Dizer 'Como vai?', sem a mínima noção do que isso representa. Na verdade, sem querer saber como, realmente, vai aquele alguém. Ou responder 'Vou bem e você?', quase que automático. Praticamente uma ação do sistema nervoso periférico, como um ato-reflexo. Vai bem mesmo? Nunca se sabe...
Os vazios hoje em dia, não vem em forma de vazios. Vem num recipiente chamado tédio. Vazio. Recipiente que nada preenche. Nada o destruí. Ou ao menos, entorpece. O tédio que o segue como labaredas de fogo seduzidas pelo álcool para qualquer mísero ou bom lugar que se vá. E uma hora, ou nunca, chega-se o pensamento, o suave pensamento como uma mão macia de mãe sobre nossas cabeças confusas: ' Quem realmente é seu amigo? Quem ama a você, a ponto de ensinar com o ato, o verdadeiro amor?'. E depois dessa suave mão, vem o murro. Que não só racha a cabeça como o cérebro e seus componentes. Não há intimidades. Não àquele que ama de verdade. É tudo postiço, verdadeiro aplique fantasioso do mundo moderno.
Fingir. Driblar a solidão com excesso de pessoas. Excesso de superficialidades, só aumenta o tédio.
Colecionar amiguinhos que diz amar-lhe, é uma estúpida moda mundana. Aumento do tédio, do vazio do tédio.

Sejam bem-vindos a profundidade. A clareza e verdade. Sejam bem vindos, meus poucos, tão poucos e muito poucos, mas amigos. Amigos que estão comigo. Amigos que me conhecem. Amigos que se importam comigo, ainda que não sendo a solução dos meus problemas, mas sendo uma força adjacente, um apoio real, para a luta armada, chamada vida.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Aos seus amigos

Traumas, perdas, mentiras, ilusões. Quantas dessas pesam o peito. Afogam, amarram nossa alegria. Nos limitam a crer, que podemos livrar delas e tantas outras mais. Nos deixam duros e sésseis para viver intimidades, viver em profundidade com outréns. Freiam a velocidade cardíaca de querer bater mais e mais rápido. Impede a mente de fluir qualquer relacionamento.
Na infância a amizade viera sem planos. Um 'oi' ali, uma risadinha acolá e prevalecia a união. Quando pequenos, no jardim-de-infância, você queria ser amigo, brincar e deixar a imaginação dialogar. E era findada o amor entre amigos, ainda que um amor, assim banal.
Já o crescer, florescer, estourar e pipocar, sucederam em experiências mais íntimas e sérias. Amizade que era laço inquebrável, segredos guardados, boas lembranças. A vida que ia sendo como uma canção, e ele ou ela a sua dança perfeita, seu amigo, irmão ou amiga, irmã; Companheiros de toda a jornada.
E, ainda no crescer, o baque. Surto de brigas, laços quebrados. Ela é chata, não fala o que pensa. Já ele fala demais. Defeitos iam escorrendo da união certeira, as pessoas eram complicadas demais para entender, eram erradas, feias, bobas e chatas. Complicações e frustrações.
Mas na vida passageira, a chuva vem, a chuva vai. Logo vem novas pessoas, boas ou não, mas pessoas. Companhias que repelem a solidão de sábado a noite. No entanto, não era tão colorido assim. Amizades agora, seriam seletivas.
A vida não pára de correr contra o tempo, que mancha de sangue os sonhos. A vida crescida, adulto formado. Amigos aliados, amigos caídos. Os que ficaram, não podem mais ir, porque se chegou até aqui, queira Deus, que dure pra sempre. E os que foram? Pouco importa, precisamos criar nossos filhos.
A cada segundo seu coração cristaliza, endurece e fica mais forte. Não que seja ruim, um pouquinho de dureza, afinal é ela quem dá a resistência e suporte. Mas a cada segundo, ele continua assim. As pessoas que vem, as pessoas que vão. Amigos entrelaçados nas promessas da eternidade, você é o melhor, você foi a melhor. Um dia perder amigo, é algo que faz parte. De tantas passagens, mais um se foi, para um novo chegar. Não são pessoas falsas que você desperdiçou o seu tempo, são pessoas, espectros do tempo, do mundo, do destino.
Vieram, beijaram sua testa. Apertaram sua mão até um dia cansar. Ou cansa você, ou cansa a mão que aperta a sua. E parte pra outra testa, outra mão, outro personagem de sua história.
Cale essa voz que soa em seus ouvidos, dizendo que humanos são podres e falsos. Isso é, pode ser, mas você também é humano. Antes era fácil fazer um amigo, porque não havia medo, interesse e trauma. Não caia na armadilha de ser frio com a vida. Amigos são partículas que aquecem seu coração. São moléculas agitadas que esquentam a sua vida. Amigos ficam para sempre, na lembrança e no passado, no hoje em sua mente.

Realmente, espero que compreendam...