domingo, 23 de janeiro de 2011

Corte.

Insisto em seguir essas linhas traçadas, opacas e tortas
Insisto em pensar que usar uma dose de destino mais um quê do acaso, irá trazer você de novo.
Insisto em lembrar do meu erro, que já é tarde
Insisto em acreditar no porquê de brindar e ter um orgulho maior de mim
e o orgulho despreza o arrependimento.
Porque, no fundo, gosto e me simpatizo com o meu silêncio, que hoje grita por socorro.
E eu sei que errante já me guio por essa estrada...
Porque eu confesso minhas lágrimas e tenho olhar cabisbaixo de uma humildade enfiada guela a baixo!
Porque o que prevalece ainda em mim é o orgulho, e agora, me diga, desistir?!
me restam décimos, um, dois pontos.

Quando era mais cedo, eu deveria ter desistido.
Mas há excesso de fé, força e juventude dentro do meu pobre coração.
Agora, tão fria, tão machucada, tão impotente
Não desisto pela lógica, falta tão pouco...
E eu não sou de esperar as coisas mudarem, não por vontade própria.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Último, do ano.

Começo a compilar uma lista do que mais me amedrontava, queira Deus que não fosse medo de coisas novas. Começo também, a cantarolar canções em minha mente, que de tão baixas mal consigo distingui-las. As notas nascem conforme minha respiração morre em meus lábios. Uma postura perfeita para alguém como eu, diga-se inerte ou algo parecido. Creio que seja uma capa, algo que uso para esconder os anseios e remorsos de um ano cheio de obstáculos e esperanças... Emoção desagradável de não conseguir colocar em palavras, rimas, sílabas ou letras o que hoje se rotula como pressentimento ou pelo reconhecimento sobre mim. Originalmente conhecidas como: terror, pavor, pânico, susto ou sobressalto. Hoje, minhas mãos são frias não derretem quentes e, em alguns casos a sensação de outra pulsação humana é transportada. Posso criar aqui e agora as sensações de atravessar camas da minha pele enrijecida e pálida. E isso é tudo?
A resposta de cada pergunta que me fiz neste ano me interessa muito, embora eu não possa permitir que elas me seduzam. Eu sou a sugestão, eu sou o conselho, mesmo sendo eles imaginários. Esse círculo está desigual e os minutos estão escoando, pesados. Na parte da manhã inspecionaram-se os danos, esses eram contidos nos tais ingredientes, que a cada dia longe da sua única e fiel animação tornavam-se mais densas e dispersas... Havia rumores carregando cacos, cacos de si.
Pessoalmente falo por mim, já que irei ou não me engasgar com a própria poeira refletida no agora. Oportunidade, chance de avanço ou progresso. Minimamente confesso estar feliz por mais este ano. E espero ainda passar por esse arame que postou-se sobre minha frente.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Ai que mim.

É dezembro, luzes irritantemente radiantes brilham na minha rua. E eu nada posso contemplar, estou presa no tempo e sou da cor cinza, tanto faz.
Pago pelo preço impagável, busquei exatamente aquilo que não me era bem-vindo. "Tome cuidado com seus sonhos" me diziam, mas eu achava prazeroso por demais e não iria, nem sob tortura, parar de sonhar.
Hoje resta de mim pedaços, talvez. Sou sangue vivo e cinza pálido. Ferida e ainda naquele estado escrupuloso de latência. Reservando minha vida para mais tarde e é exatamente esse mais tarde que nunca chega. Por mérito.
Eu mereço cada lágrima derramada. Eu mereço cada grito enfraquecido. Eu mereço cada passo negativo, que é fracasso, mas é parte de uma suposta vitória.
Cada não que decorei. Cada obra maldita que contemplei. Cada dor no ego. Cada fratura da alma, exposta.
Ai de mim, que não tomou juízo. Que quer a regalia sem ao menos ter mérito.
Outra vez me ponho frente aqui, neste sepulcro mórbido de mais uma esperança. Estou flagelada, estou feia.
Ao menos, finalmente, descobri meus erros e mais que isso: assumi a culpa.
Eu sou apaixonada por cada milímetro de dor, masoquista ou não, eu gosto. Desafiei a vida, ela não foi obra do destino, não deixei ninguém traçar meu futuro. Eu quis tudo, tudo, tudo isso. Embora não soubesse dos detalhes, eu sabia que nada seria fácil, ainda mais para uma desmedida e por demais intensa como eu.
Preciso me expremer mais um pouco. E farei até acabar tudo de mim.
Eu sou apaixonada por cada milímetro da minha vida. Essa merda, ao menos, fui eu, a dona, quem fiz.
Daqui a pouco sigo em frente, não outra vez, mas de uma vez, talvez.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Seguir ou não.

Entre buracos, cortes e cutículas dos pedaços de misturas do meu tempo. Eu estou, justo, na direção de todas as ramificações, hoje dia Nove de Novembro sou o passado, presente, eu sou futuro. Eu sou seus risos e abraços, suas promessas malditas, você foi e foi de novo. Eu sou a revolta do porquê que foi assim. E por que mesmo que foi? Categorias nostálgicas se organizam em minhas veias, quentes, fervendo, quero a saudade morta, mas na verdade, quem morreu foi você. E eu não fui ao seu enterro.
Ah, se me dessem. Eu cavaria sua cova, abraçaria-o do mesmo jeito. E você, mesmo póstumo, seria ainda aquela estrela que fiz brilhar.
E isso é : você sumiu e me deixou aqui, seguindo estrelas, outras estrelas. Vãs. Sua insubstitualidade ainda me comove. Eu fraca, latejo veneno, rogo-lhe pragas e espero que você sofra. E que seja muito, muito feliz. Você, ah você, sumiu.
O tempo não curou-me a ferida, convenhamos meu bem, o tempo não é nada. Estou na bifurcação do tempo! O tempo é um fingido. E pesa em cima de mim. Não, eu não tenho o poder que você insistia em afirmar.
Ouvir sua música favorita, lembrar. Buscar explicações e cair no vazio da irrealidade. É um absurdo, eu já amadureci meus ramos e não choramingo por pouca bobagem. Mas é que, entenda, foi hoje. Nove de Nov... e acabou. A vida segue, meu bem. E eu não fui aos seus enterros.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Feita de trevas.

A alegria era contida em cápsulas, onde as dosagens baseavam-se por meus anseios. Andava e dançava conforme a música que por sua vez, era uma valsa triste. Cartas, aniversários, puro afeto sumiram e escorregavam pelo vão de meus dedos e ainda em sua mente cantarolava canções fúnebres numa grande precipitação de ilusão, pela segunda vez dentro do seu inerte coração.
O prólogo dessa vivência era contido em fundamentos que por sua vez tinha vários traços e aspectos, escombros eram encontrados e diversas vezes superados, mas até quando? Sinto-me impedida a cada dia que passa por meus próprios protestos, embora construa um começo quer eu queria ou não. Lamentavelmente ou não, reerguerei sobre eu mesma, com toda cordialidade possível até porque consigo com absoluta certeza ressurgir das minhas cinzas quantas vezes forem necessárias, pois levarei este peso que sobressai embora gentilmente.
Pessoalmente, gosto do céu azul. Azul claro, bem claro. As pessoas próximas dizem que condiz comigo, o que é uma verdade. Mas procuro por esses dias lacunosos, solitários e escuros observar o aspecto inteiro. Um trilhão de cores e sabores, mais ou menos, e nenhum deles exatamente igual...
Obviamente as pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim dele, mas, para mim, é muito claro que o dia inteiro visto atentamente mostra uma multidão de matizes e entonações a cada minuto observado com atenção. Pequenos momentos frágeis e doloridos eram simultaneamente arrastados pelos pés em um espasmo silencioso. Nessa hora o que eram lábios macios, viçosos e doces parecem um marrom corroído e descascado, feito tinta velha, que hoje espera desesperadamente por uma reforma.
Já não produzo com frequência, mas quando ele surge, meu sorriso é faminto. Era tudo estável e decididamente difícil. Toda noite, pesadelos e seu único alicerce era o "abraço apaixonado". O rosto fixo em suas memórias e lembranças... De olhos ainda fixos que fitavam o chão até adormecer. Ao acordar nadava, aos gritos, afogando-se em lençóis por diversas noites. O outro lado do seu coração agora flutuava nas trevas feito um barco e a única coisa boa advinda desses pesadelos era que eles traziam ao quarto, pessoas pelas quais, mentalmente poderiam acalmá-la e acarinhá-la.

E desde o começo soube que ele no meio do grito e não iria embora...

Havia uma luz no fim do túnel.
Um acesso quase inspirado.
E logo depois — Nada.

(Não ir embora: Ato de confiança e amor. Comumente decifrado em atos.)
00:09h.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Somos um par, cheio de coisas ímpares.

“Ser ou estar feliz?” Não sabia ao certo denominar a felicidade como uma essência do espírito ou apenas um estado efêmero. Diante de determinadas circunstâncias, perceba o quão ansiosos, solitários, carentes, saudosos, amados, sensíveis, nos tornamos... Talvez, o pessimismo e o otimismo são quem determinam o “fator-X” da alegria ao estado extremo, que buscamos sem piscar. Se tivermos uma expectativa boa vinculada à esperança de um dia melhor, somos felizes. Caso nos deixemos engolir pelas dificuldades diárias, sem acreditar em transformações gritantes, estaremos felizes.

Dividindo-me em pedaços sarais, descubro a mim mesma num âmbito profissional, amoroso, familiar, íntimo, de amizade... E sinto que estou contente e satisfeita em muitos deles (embora todos os dias aprenda algo que me [des]constrói.). Mas sinto que sou feliz mesmo, se penso que você estará ao meu lado. Ainda com os beicinhos ciumentos e com os charmezinhos bobos, com os problemas cotidianos e as más línguas, com os desencantos de alguns e os olhares invejosos de outros, sou feliz com você!

Tão rápido que eu nem sei como explicar. Não deixarei de escrever por medo de tudo mudar... Conte-me a sua história e deixe-me expor a minha, para que o palco deste momento seja a verdade e a sinceridade sempre, exatamente como você me ensinou. Estarei aqui esperando por você, todos os dias num novo pôr-do-sol e me preencha com o seu sorriso, que eu já sei de cor. Deixe as elucidações de lado, na tentativa de descrever este sentimento. Apenas sinta e permita-me jogar fora o vazio que aí dentro existia, construindo uma casa com os muros de cor-lilás claro e muitas plantazinhas no jardim... E sim... Eu te amo, minha felicidade.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Sem obrigatoriedade.

Somos atitudes e palavras. Podemos afastar ou aproximar as pessoas, em virtude delas. Sempre valorizo qualquer tipo de ação ou promessa na qual eu sinta sinceridade. Como ocorreu essa semana, adorei receber mensagens de carinho, saudade, amizade, amor... E se me ligam no meio da noite, para dizer que viram uma determinada cena de filme, uma peça de teatro ou uma roupa super diferente, que era a “minha cara”; eu fico super feliz e sem vontade de desligar o telefone.

São com pequenos gestos que construímos o nosso lugarzinho no coração das pessoas. Hoje, nos dias de aniversário, todo mundo deixa recadinho no Orkut, felicitando-nos com todo amor... Mas vou ser sincera: ainda prefiro aquele torpedo no celular ou aquela ligação três segundos, que nos deixa com a sensação de “quero mais”. Uma flor no cabelo, um beijo nas mãos, uma anotação escondida no caderno... Posso ser tola mesmo, mas gosto disso. Creio que seja através disso que construo minha personalidade.

Queria que cada um tivesse um pincel, para colorir a vida das outras pessoas, com tintas que as fizessem felizes e bonitas; infelizmente, as pessoas insistem em carregar borrachas! E eu continuo aqui... Não estou à espera de nada. Porém, não vou mentir que adoraria um suco de maracujá com leite agora. Você poderia fazer um pra mim?

Sinceramente, essa sensibilidade ainda vai ser a minha maior virtude, e não tenho vergonha alguma disso.
Pense...